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A finitude é algo condicionado a qualquer ser vivo, porém apenas o homem tende a refletir sobre essa condição e desse modo tenta escapar. De tal maneira podemos fazer arte, ciência, filosofia, numa tentativa de aproximarmos do eterno e assim esquecermos a condição que nos cerca. Porém, como escreve Heidegger, a morte é a possibilidade certa, irremisssível e insuperável, já que sempre estamos com ela como nosso absoluto. Por mais que, por exemplo, Sarte indique sendo-a apenas uma escolha dentre tantas outras e assim podemos escolher o infinito mediante a história, esta entretanto só faz pela razão histórica que precisa se arvorar em diversos elementos para tentar ser lembrada. Mas o que seria a lembrança, senão um tentativa pálida de iludirmos para com um modo distante de nós mesmos? Nós perante o universo apenas somos a ínfima poeira, por mais que engedramos um significado, a totalidade nos consome e nos transforma naquilo que já nascemos sabendo, e somente procuramos nos afastar da constatação de que somos nada!

Esse parágrafo denso em palavras filosóficas é só uma tentativa de resumir o que seria os dois filmes fundamentais do ano de 2011: Árvore da Vida e Melancholia. Mesmo que o último seja melhor trabalhado e o primeiro apresente certa lentidão na construção das idéias, não podemos abandonar a importância dessa películas que procura acima de tudo apresentar a nossa finitude não concernente a uma maldição dos deuses, ou uma passagem que invariavelmente nos levará para algo maior, não! A finitude nos direciona para a vida, já que somente a partir dela podemos construir maravilhas que nenhum outro ente pode ser capaz. Se rogamos dúvidas perante o nosso “benévolo Criador” pelo mal que cerca nossa vida, esquecemos que ao “Criador” por mais que nos ame, estamos junto a seis bilhões de iguais a nós pedindo coisas semelhantes e não será justamente eu que estou pedindo que serei “atendido”. Isso nos faz lembrar que a solidão constitui nosso modo de ser e só  diante da aceitação a mesma é que podemos viver da melhor maneira possível, qual seja? Sendo nós mesmos… Com isso, podemos perceber que aqueles que nos cerca são os únicos pelos quais podemos ter uma resposta, mesmo ela sendo ambígua, fraca, porém é a única resposta que teremos a nossa vida. Assim, Terrance Mallick nos mostra o surgimento do mundo, emaranhado de caos sem um ordenador visível, os entes crescem, evoluem, sem um fim determinado, a vida ela mesmo é o fim nada mais do que isso, enquanto que Lars von Trier enfoca a destruição iminente do nosso planeta e por mais que nossa razão procure fantasiar uma saída, esta saída não existe, porque duvidar de que estamos vivendo a nossa dizimação não indica que ela afastará de nós.

Seria esse o ponto do evangelho no qual Jesus fala que “o julgamento final virá como um ladrão a noite”? Não tenho tempo para refletir sobre isso, mas deixo a palavra de que tanto Melancholia quanto Árvore da vida corresponde ao ponto continuamente escrito aqui: o caráter ínfimo do ser humano perante o universo. E se Árvore da Vida foi o filme vencedor de Cannes, Melancholia devido a uma brincadeira do diretor foi expulsa do festival não obteve qualquer prêmio, porém como um amigo meu disse há filmes que os prêmios não ratificam em nada. Portanto, se não viu esses filmes porque ouviram dizer serem chatos, de linguagem hermética, de pseudo-intelectual, não entre nessa ladainha, pois para uma arte que virou indústria e o deserto comparece como cada vez maior, ambos filmes se tornam um plano de fuga da mediocridade.