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Devido ao impacto provocado em mim pelo mais novo filme de Lars von Trier – Melancholia. Desenterrei um texto que fiz num antigo blog meu sobre o diretor, que na minha opinião consiste num dos três maiores da nossa década. Aqui está o texto.

Lars von Trier, cineasta dinamarquês, dirigiu filmes que estão na minha lista dos melhores: Dançando no escuro, Dogville, Os Idiotas. O mais recente é O Anticristo, que pessoalmente adorei pelo fato de desvendar um terror psicológico onde o “monstro” não é algo visível, são nossas inclinações, temperamentos motivados pelo ambiente em que se conjuga e se manifesta com todo ardor. No caso, a Natureza. Lars von Trier iniciou os seus trabalhos no movimento Dogma, após isso, suas temáticas se voltaram para personagens femininas, os seus filmes tem como ponto central as heroínas. Heroínas não no sentido de deter enorme poderes para poder enfrentar as dificuldades, e sim por sofrer forças violentas, derrubando-as, mostrando todo o preconceito, discriminação que sofre a mulher contemporânea, porém continuam firme nos seus pensamentos. Estupros, extorsão, violência física e psicológica são alguns dos atos sofridos por suas heroínas.

Como podemos ver em Dançando no Escuro, Selma Jezková (Bjork) uma imigrante Tcheca que segue para os estados unidos, porém vive humildemente com o filho. Ela trabalha numa metalúrgica fazendo trabalho pesado, contudo, ela sofre de uma doença genética que retira de maneira graduada a sua visão, porém ela continua trabalhando para juntar o dinheiro e pagar a operação ao filho que com o passar do tempo também ficará cego. Mas, o senhorio dela, o policial Bill (David Morse) rouba o dinheiro para pagar manter o status fictício que ele tem de dar à perua da sua esposa, só que na tentativa de Selma reaver o dinheiro de volta, o cara atira em si próprio para acusar Selma de roubo. Ela é condenada a morte por assassinato! Outra película é Dogville, primeiro filme da trilogia: Eua – terra das oportunidades, que contém a personagem Grace (Nicole Kidman) que fugindo se depara numa pequena vila, Dogville, lá ela refugia-se e mantém contato com os habitantes ajudando-os de alguma forma. Entretanto, o filme tem uma reviravolta que mostra a ambição, o podre, a ganância do ser humano, que os habitantes começam a abusar de Grace tanto físico quanto sexual; numa cena do filme, um dos personagens diz que uma vaca tem mais dignidade do que a Grace. Contudo, Grace sendo violentada, estuprada por todos os habitante personifica o ideário de liberdade que os americanos se vangloriam em ter. Assim, fica dito que a liberdade é abusada, violentada por todos nós desconhecendo seu valor.

Um fator seguinte dos filmes de Lars von Trier é sua crítica aos americanos, ele odeia os EUA. Os filmes deles podem perceber tem sua crítica voltada extremamente para os eua. E o mais impressionante é que ele retrata tão bem as deficiências americanas sem ele jamais ter pisado lá. Contudo, ele reproduz muito bem a sua crítica. Assim, apesar do internamento dele para cuidar do seu estado mental, continua como um dos cineastas contemporâneos mais originais, independentes, que encontramos no setor cinematográfico. O anticristo, o mais recente e criador de divergentes opiniões, acho como escrevi acima uma peculiaridade, não que seja o melhor dele, mas demonstra uma versatilidade nas idéias. Ali não é feito gratuito apenas para abalar sem um motivo específico, tem uma arquitetura mítica que invade nossos povos, numa palavra resumida: o feminino. Esse filme mostra a criação da imagem da Bruxa, a mulher partindo contato com a natureza desperta toda a sua virulência, sua ambiguidade entre amor e ódio, guerra e paz.

Quem é Lars von Trier? Um artista que cria para poder se aproximar da natureza humana, caminho escolhido? O universo feminino que o ocidente fecha os olhos e o trata como subserviente. Contudo é por aí que o espírito revolucionário comparece, porque é no amor materno que a proteção pelo justo comparece, mesmo que as vezes as mães possam distorcer os filhos invertendo as pretensões humanas.