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No século XX houve um casal de intelectuais, filósofos e escritores, que praticamente se tornaram a imagem de liberdade no chamado relacionamento. Jean-Paul Sartre e Simone Beauvoir. Criou-se uma imagem mítica entre ambos que muitos depois dele tentaram imitar o tipo de relacionamento. Contudo, eu desconfiava que se pudesse imitar o mesmo relacionamento, porque teria de ter o outro como ponte de apoio para tudo, tanto para os erros quanto para os acertos e sabemos muito bem que não se dá algo assim num relacionamento de maneira tão branda. Assim, houve relatos biográficos que mostraram a vida do casal não foi algo muito tranquilo de amor inconseqüente, libertinagem 24 horas. Houve também muita dor, ciúmes… Desse modo, saiu na França  em 2006 um filme feito para TV que procurou retratar o relacionamento entre Simone e Sartre, Os Amantes do Café Flore (Les Amants du Flore) entretanto, tomando como ponto de vista o olhar de Simone para com a situação e como ela se desenvolvera.
Devo confessar que quando vi o filme na primeira vez, desconfiei, pois tratar da vida de dois filósofos, onde tem toda uma ideologia por trás, um pensamento forte, não era tarefa fácil para passar ao cinema sem perder no conteúdo e seriedade. Porém, o resultado ficou bastante bom, a atriz que faz Simone Beauvoir (Anna Mouglais) consegue passar a força real que Beauvoir continha, o pensamento de não se submeter a caprichos de qualquer homem. Podemos descordar do ator que faz Sartre (Loránt Deutsch) mas no resultado final consegue manter o espírito aventureiro, contestador e trapaceiro de Sartre. E tomando a perspectiva da relação por Simone percebemos o quanto de dor, solidão, havia entre eles dois, não sendo jamais a maior maravilha. Pois, apesar do acordo mútuo de que poderiam relacionar com quiser, desde que alimentasse o tesão, vemos que esse acordo foi pretendido mais por Sartre do que por Simone, já que apesar do sentimento de nao se tornar empregada do marido e não participar da cultura burguesa. Beauvoir tinha o sentimento de apreciação, de se tornar importante no caso para o Jean-Paul e as investidas e as estórias de criar um falso casamento com Tania (Sarah Stern) não era de bom senso. Uma das coisas que podemos ressaltar no filme é que quase todas as situações em que encontramos na biografia do casal está lá presente. Só senti falta da conversa entre Sartre, Simone e Raymond Aron que este vindo da alemanha fala de maneira extasiante de uma novo método filosófico: Fenomenologia. E  usa do Coquetel de Bricot falando para Sartre que “se tu és Fenomenólogo, olha pra esta bebida e faz filosofia.” Tal fato deixou Sartre entusiasmado em aprender o método que marcou uma geração de filósofos e ainda se faz presente.
Desse modo, Os Amantes do Café Flore é um bom filme para soubermos um pouco mais desse casal público que no campo filosófico ficou bastante conhecido. Vale ressaltar que Simone conheceu realmente o amor não foi com o francês, mas com um poeta americano Nelson Algren, ali ela sentiu como se doar pra uma pessoa e receber de volta. Contudo, tendo de escolher entre o amor e o pensamento, preferiu permanecer ao fim da vida ao lado do pensamento, contudo carregando até a sua morte o anel que lembrava do amor.