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Domingo de carnaval e aqui estou na internet fazendo coisas sem sentido, vasculhando os mesmos sites que sempre navego vendo as mesmas piadas de sempre. E na rapidez das informações me veio a mente uma citação do filósofo italiano: Gianni Vattimo. Gay, comunista, militante e cristão, tem uma peculiaridade a partir das leituras de Nietzsche e Heidegger realizar uma apologia do niilismo e constatar que a nossa época não mais se sustém nos caminhos da modernidade, mas há um algo que requer mais do que o otimismo moderno. A tragicomédia da pós-modernidade. Termo muito confuso, sem um fim mesmo para identificar o que vem a ser essa noção de pós… A citação é essa abaixo onde destaca que a pós-modernidade se estabelece numa noção de tempo não mais linear, separada entre um antes e depois mas o instante é o maior privilegiada, na verdade o caráter instantâneo é o  que possui maior vibração nesse mundo atual. Particularmente, antes afirmava com força que estamos nessa pós-modernidade, mas hoje, apesar desses sentimentos modernos fechados estarem dissolvidos, denominar como pós é acreditar muito na falha da modernidade, pois se estas mesmas características não denunciam a queda da modernidade e sim sua maior confirmação? Deixemos o pensamento trabalhar para as decisões futuras, pois como disse Heidegger numa entrevista: só um deus pode ainda nos salvar (mas isso é pra outra história).

Nós somos pós-modernos não porque viemos depois da modernidade; e nem porque, vindo depois, estamos mais adiante – rumo ao melhor ou rumo ao pior. Somos pós-modernos porque não têm mais sentido para nós estas dimensões que, para a modernidade, eram sempre temporais e axiológicas ao mesmo tempo. É óbvio que também para nós ainda vale a sucessão de um antes e de um depois. Não vale mais, porém, a colocação desta sucessão em um tempo concebido como dimensão última e absoluta, como horizonte total de sentido.

Gianni Vattimo. “Niilismo, pós-moderno e filosofia da paz”.

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