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Num tempo em que não se encontra qualquer escrito, há duas montanhas, numa se encontra o habitante poeta e na outra o pensador. Apesar do abismo que separa as duas, em todo um novo despertar advém uma conversa que tenta aproximar um ao outro, porém a discussão sempre permanece:

Pensador: Olha, o sol nasce! Não quero te fatigar, mas o mesmo está vindo nos consumir.
Poeta: Não pensa que isto me fatigará, pois um novo dia é sempre aquele pelo qual a gente pode esperar.
Pensador: Esperar não nos leva a nada. Apesar de nada já sermos, por isso caímos na verborragia de refletir sobre o que não nos alcança.
Poeta: Desconheço a não saída do esperar, já que sentado ou caminhando sempre sou algo, mesmo que este nada me circunda o meu olhar nunca nele não afunda.
Pensador: Não sei se por isso nos diferenciamos, mas procuro a certeza do representar e com isso, construo torres para onde meu espírito tende a repousar.
Poeta: Eu não procuro erguer torres para perto do céu me encontrar, pois é da terra mesma que vem o meu todo linguajar.
Pensador: Por isso, ficamos separados por este abismo, onde a diferença não é pensada, enquanto fico na minha altura tu permanece nas relvas.
Poeta: Alturas não são medidas para o homem que vai além, pois é dela que a solidão advém. Prefiro aqui no chão, sentindo os outros do que num local onde permaneço como mero absorto.
Pensador: Sempre digo que a deusa da guerra continuará conosco, porque distanciados assim apenas se a linguagem nos encaminhe para um novo começo, onde o devir possa nos fazer encontrar.
Poeta: Então meu antípoda, permaneça aí que continuarei por aqui. Desse modo, o mundo não mostrará o seu fim e a humanidade poderá sorrir!
Pensador: Ave!
Poeta: Ave!

Depois disso, cada seguiu o resto do dia a seu costume, esquecendo um do outro até que o novo dia possa voltar a surgir.