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Já se foi o tempo em que Sebastião deixou de crer em coisas grandiosas. Agora só importava aqueles detalhes advindo de uma conversa sem interesse qualquer, ou de uma lasca de pau que aparecia no canto da porta. No domingo, dia habitual em que o tédio o incomodava, saiu caminhando pelas ruas sem destino apenas virava esquinas após esquinas, até que viu de longe uma bela mulher que trajava um belo vestido e os cabelos encaracolados curtos dava um ar de elegância que agradava enorme mente a Sebastião. Ele se aproximou aos poucos reparando no que ela estava fazendo, percebeu que fitava alguns sapatos na vitrine de uma loja, Sebastião tentou fazer o mesmo para que assim, talvez, pudesse encontrar uma brecha para um diálogo. Se aproximou, ficava revesando entre olhar os sapatos da estante para a desconhecida, aproximou ainda mais dela, porém não atraiu a atenção, o que resultou foi de apenas ela se afastar e ir embora. Ela saiu caminhando e virou a esquina. Sebastião ficou inconformado e foi atrás dela e num ato impensado exclamou: Ei!

O resultado foi um olhar de desprezo da mulher que não tirou de Sebastião o ímpeto de conhecê-la e disse: Estou caminhando por aí e de repente você me chamou a atenção pelo seu modo de se comportar, perguntei a mim mesmo “Quem será aquela mulher? Qual o nome dela?” desculpe-me pois diante das várias intempéries que encontramos na nossa vida muito possível de nunca mais virmos a nos ver, assim pergunto: quer me acompanhar na minha andança. A mulher um pouco receosa, porém intrigada pela maneira de como aquele homem negro a intimou e replicou: Não quero saber pra onde você vai ou para onde veio, certo que estou aqui a pouco tempo, por isso as pessoas não me despertaram qualquer interesse em conhecer, porém por respeito a ti, eu te acompanharei por alguns instantes. Meu nome é Letícia e o seu? Sebastião falou de maneira garbosa o nome e andaram alguns metros pela cidade um tanto sem expressão, os assuntos eram ao menos sem objetivo, apenas tentativas para uma aproximação de interesses. Contudo, as opiniões não se chocavam, realmente pareciam ser divergentes, já que se ele preferia cerveja, ela vinho, se ele preferia salgado, ela doce, se ele gostava de sair pelo dia, ela pela noite. Aos poucos, Sebastião percebia que dessa aproximação já decorria numa frustração. Ouvia aquela voz estridente, arranhando o ouvido. Queria de alguma forma sair desse encontro repleto de desconforto.

Todavia, ao passar por um sebo viu aquele título que tanto procurava e nunca encontrava, sempre dado como esgostado. Alegrou parou um pouco pra vitrine, Letícia olhou pra ele, percebeu um tanto hipnotizado e pensou que devia deixá-lo quieto, já não tinha mais espaço e ademais queria retornar pra casa.  Aproximou e disse que ia embora, não mais do que até mais ela veio receber de Sebastião, que entrou no sebo e perguntou quanto custava, ao ouvir o preço muito abaixo do esperado só o fez alegrar ainda mais. Com o livro nas mãos correu pra casa e só pensava no fato de que justamente por ter aproximado daquela mulher que já não lembra mais o seu nome, não estaria com aquele livro tão raro e repleto de incentivos ao seu pensamento. Pronto, agora só restava a Sebastião se deliciar pelo encontro que nem passou pela imaginação que algum dia viria acontecer.