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ImagemAo lermos cartão-postal do Derrida, temos uma experiencia de que através do modo como ele constrói esse livro a partir de envios de cartões a vários amigos, anunciado seu caminho pelos EUA, Europa, Brasil, Japão, etc. Derrida consegue articular esse modo banal de envio de lembranças e notícias com a própria tradição que o ocidente carrega através do pensar metafísico. Pois funciona da seguinte forma:

O Cartão-postal é o próprio envio do ser, que Heidegger anuncia na segunda fase do seu pensamento, no caso aqui condiciona apenas o envio, sem necessitar que carregue algo consigo, o importante é o mero envio. Desse modo, estou na Europa e envio um cartão postal da torre de Pisa para minha família, naquele momento ela entenderá que estou em Pisa e realizará ações crendo que estou nesse local, por exemplo se alguém aqui no Brasil perguntar sobre mim, responderão que estou em Pisa na Itália. Contudo, após enviar o cartão posso não estar mais nesse lugar, inclusive, poderia estar enviando de um outro local, pois há infinidade de locais em que posso enviá-lo não apenas em Pisa.

Do mesmo modo, o ocidente trata o manifestar do ser, o seu envio é tratado como um modo de essencializar o ente de uma maneira e o Ocidente toma essa determinação como única em que o ser possa ter enviado, esquecendo que aquilo que envia possa ter chegado ao nosso pensamento de maneira atrasada, não mais sendo aquilo que a gente trata como tal como “o” envio, quando sim, é somente mais um dos inúmeros envios que o ser possa projetar ao nosso pensamento. Resultando na diferança que distingue o ente e  o coloca diante de algo que ainda estar para ser descoberto!